Gosto de fruta mordida

 

O olhar inconsciente de desafio e distância, o medo por não saber mais como se começam certas coisas, a decisão de relaxar, o parque à noite, a partida breve.

“Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”

Foi um exercício de ver, ouvir e sentir.

O mistério das cousas, onde está ele?

Onde está ele que não aparece

Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?

Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?

E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?

Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,

Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das cousas

É elas não terem sentido oculto nenhum,

É mais estranho do que todas a estranhezas

E do que os sonhos de todos os poetas

E os pensamentos de todos os filósofos,

Que as cousas sejam realmente o que parecem ser

E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: –

As cousas não têm significação: têm existência.

As cousas são o único sentido oculto das cousas.

Regado a Fernando Pessoa, pela voz de Alberto Caeiro, canso meus olhos de ler esses versos, talvez na tentativa de interiorizar um pouco dessa filosofia que é uma não-filosofia. Consegui por instantes. Bom!

O olhar é sempre o melhor de tudo!
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