Acabou a trégua

Uma trégua não é necessariamente sinônimo de paz. Trégua é trégua. É interrupção de uma fluidez qualquer, para deixar correr um outro fluxo. Foi isso o que aconteceu no mês de julho comigo. Houve uma trégua do trabalho, de algumas pessoas, de determinados assuntos ou preocupações e nesse meio tempo ocorreram outras tantas coisas, não necessariamente sinônimos de paz ou de bonança.

É interessante como essa trégua foi um ciclo que está se fechando, não por ser o último dia do mês, mas sim porque algumas mudanças estão acontecendo agora.

Houve um aspecto bom e tranquilo da trégua neste mês, mas que já está se perdendo por conta da distância e do tempo. Com relação à distância, o famoso ditado popular “Longe dos olhos, longe do coração”, dá conta. É o momento de interromper esse fluxo, que já estava em conta-gotas. Com relação ao tempo, talvez seja uma inevitabilidade futura que não chegou a acontecer… Risos… Se é que isso é possível, a não ser que se considere que todas as relações, amorosas ou fraternas ou profissionais, estão fadadas ao fracasso ou para ser mais conciliadora e eufêmica, são intensas e infinitas por um tempo e depois acabam, inevitavelmente (por enquanto, não presenciei nada que fosse diferente disso). Como diz o Ivan Martins (sempre ele!): todo mundo é meio mala de perto. Talvez seja algo inevitável, como a racionalidade do maravilhoso Vieira, neste trecho do “Sermão do Mandato” (1643):

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino: porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhes os olhos, com que vê que não via; e faz-lhes crescer as asas com que voa e foge. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar e ter amado muito, de amar a menos.

O fluxo de desentedimentos familiares parece ter se apaziguado, ao contrário do fluxo de problemas com os vizinhos, que se intensificou agora. Os desentendimentos com vizinhos tiram minha paz há meses, hoje escangalhou com os meus nervos. Quando tudo isso vai passar?

A injustiça que vejo a cada dia, incomoda-me muito. Falta de caráter, o “jeitinho” brasileiro, a certeza da  impunidade, a falta de respeito ao ser humano numa convivência em sociedade (não invadir, sujar ou destruir o espaço do próximo, por exemplo), as frases feitas “o Brasil precisa de leis mais rígidas” ou “tem gente que faz coisa pior e está aí, solto”. Talvez tenha me empolgado com “Na forma da Lei”, mas eu acredito que o único caminho para isso seja a de lutar de justiça. No nosso país, isso é difícil. Nem na hora de exercer a cidadania num órgão municipal, consegue-se ser atendimento ou solicitar o cumprimento de suas próprias regras.

Sinto a necessidade de focar melhor os meus interesses e aprender a considerar o trabalho, como trabalho. E só.

Alguns acreditam em recomeço a cada ano ou a partir da próxima segunda-feira ou depois do aniversário. Querer construir uma história pode ser a qualquer momento. Que tal agora?

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