Será porque a felicidade só vale quando permanece para sempre?

Releitura preciosa feita nas férias. O leitor (Der Vorleser) de Bernhard Schlink é um daqueles livros que nos tira do eixo. Ou melhor, que me tira do eixo, quanto aos demais não posso garantir… A primeira vez que o li foi o ano passado, lógico que me impressionei com o surpreendente enredo que mescla um dos temas mais polêmicos da história da humanidade, o Holocausto, com o ato de ler. Para mim, foi impossível não me emocionar.

Reli o livro em julho e, evidentemente, o impacto inicial que a narrativa me causou ficou em segundo plano, dando espaço às sutilezas ideológicas e as lindas imagens literárias criadas pelo autor.

O título do post é uma frase do livro, só posso dizer que depois que eu compreendi o significado desse questionamento, comecei a olhar para trás (muito pouco para não quebrar meu pacto com Alberto Caeiro!) de uma outra maneira, uma maneira mais tranquila. Afinal, perceber que um determinado tempo de felicidade foi de felicidade e o que veio depois não pertencia àquele tempo, é um alívio e um exercício de emoções.

Sei que comentarei muito sobre esse livro, então começarei incluindo um trecho que considero belíssimo, pela imagem poética presente e, principalmente, por desejar receber um olhar assim também, algum dia.

“Não era disso que eu não conseguia tirar os olhos. Ela não tinha posado nem brincado. Não me lembro de ela jamais ter feito isso. Lembro-me de que seu corpo, suas atitutes e movimentos às vezes pareciam pesados. Não que ela fosse tão pesada. Parecia muito mais voltada para o interior de seu corpo, abandonando-o a si mesmo e a um ritmo calmo, não perturbado por nenhuma deliberação mental, esquecendo o mundo exterior. O mesmo esquecimento do mundo encontrava-se nas atitudes e movimentos com os quais vestia as meias. Mas neste caso ela não tinha peso, sendo fluida, graciosa, sedutora – sedução que não se traduz em seios e nádegas e pernas, mas sim no convite para esquecer o mundo no interior do corpo. Eu não sabia disso na época – se é que sei agora e não apenas fico me explicando.”

Nem preciso dizer o tamanho da minha decepção com a interpretação dessa cena pela Kate Winslet. Aliás, a Hannah que eu havia imaginado tinha uma aura de força e autoridade que não vi na atriz que ganhou o Oscar 2009. Ainda assim, é um bom filme, com um Michael muito mais apagado e amargurado e uma Hannah que ainda não é a do livro. De qualquer modo, confira o trailler, há cenas lindíssimas!

 

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3 comentários

  1. Quando essa postagem pela primeira vez, cultivei em mim uma vontade de ler este livro. Eu já sabia que havia o filme, mas prefiro ler e criar minhas próprias imagens e depois, quem sabe, experimentar as imagens criadas por uma outra pessoa. Porém – não me pergunte porque – essa leitura foi adiada por muito tempo e só agora consegui adquirir o meu exemplar de “O Leitor”.
    Comecei a leitura ontem e confesso que custei a largar o livro e fazer as coisas que tinha programado para esta terça-feira. Fiquei feliz por isso. Nem sempre um livro me prende assim.
    Não vi o trailer que postou, como disse, quero saborear um pouco mais a imagem que fiz de Hanna e Michael. Quando terminar o livro, voltarei aqui para ler novamente e ver o vídeo.
    Obrigada mais uma vez por, mesmo distante, continuar sendo minha mestra!
    Bons Ventos
    Tina Chaves

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