Abster-se do prazer e da dor – parte II

Acho muito engraçada uma cena do filme Troia (essa última versão, com o Brad Pitt), quando logo no início Páris procura Helena no quarto dela e ela quer resistir a ele e diz que eles não deveriam fazer aquilo, pois era uma erro. Bom, ele pergunta da noite anterior, ela responde que também havia sido um erro… e na outra noite também… Por fim, ela diz que havia cometido muitos erros naquela última semana… 🙂 Bom, por que eu estou contando isso, porque muitas vezes agimos como a Helena, cometendo erros sucessivos… Mas, serão mesmo erros ou simplesmente entrega para o prazer?

Os comentários da Patrícia e da Tarciana na parte I deste tema foram muito bons (confira aqui), assim como os comentários da Lenice, que chegaram só por e-mail. Curioso como elas foram unânimes em abominar mais “estar em cima do muro”, do que enfrentar as consequências, que nem sempre são desastrosas. Curioso também o fato de serem garotas diferentes em tudo e unânimes na coragem. Pois é, coragem é o que não falta para algumas pessoas que tenho conhecido ultimamente. Vou aproveitar para citar duas corajosas que só conheço virtualmente: a Eve, do Blog Rindo de Mim Comigo e a Dona Flor.

“Será porque a felicidade só vale quando permanece para sempre?” Eu já comentei um pouquinho sobre essa frase do Schlink aqui. Porém, voltar a ela é compreender que estar sempre “em cima do muro” não vale a pena. Já deixei de viver grandes histórias por causa disso (Má, essa é pra você!) e, tenho completa certeza, de que as viver teria sido muito melhor, muito melhor mesmo. Eu teria amadurecido mais rápido e teria tido mais momentos de felicidade.

Uma vez li Travessuras da menina , do peruano Mario Vargas Llosa e achei incrível o fato dos protagonistas terem passado uma vida inteira de desencontros. Na verdade, eles se encontraram a vida inteira, mas não “casaram e viveram felizes para sempre”. Em comparação ao que vejo na vida real, creio que eles tiveram intensos momentos muito mais produtivos que os dos contos de fadas. Não permaneceram juntos, é verdade, mas não deixaram de viver, de ter prazer um com o outro, mesmo que tenham sido poucos (será? muita gente não passa nem perto disso!) os momentos. 

Por último, quero lembrar do memorável livro Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, da minha confidente predileta, Clarice Lispector. Aliás, esse livro ficará inteiro para um outro post. O que quero ressaltar dele hoje é o fato de que sentir prazer é um aprendizado. Um exercício de vida e de percepção, como Alberto Caeiro (leia um maravilhoso aqui!) mostra em seus poemas e como a Lóri se prepara para amar… O exercício de ambos é como um enxergar o mundo… e senti-lo. É o que propõe a meditação e a yoga ao enfatizar o encontro consigo mesmo.

Caeiro, Lóri, meditação e yoga propõem simplesmente que sintamos a vida na dimensão que ela é… Não como gostaríamos que fosse. Creio que essa herança da idealização que o Romantismo nos deixou, privou-nos de amadurecer emocionalmente, pregando a grandiosidade de tudo, quando na verdade, a percepção da realidade é aquilo que nos é tangível. 

Viver em cima do muro pode ser perigoso, ainda mais se for um muro como o de Berlin (grafia alemã), que foi reduzido a escombros, assim como quem se apoiava nele.   

Anúncios

3 comentários

  1. Ola Érika, vindo aqui conhecer seu cantinho depois de um carinhoso comentário no meu. 😉
    Obrigada por me citar no seu post. Isso é que é publiciidade. rsrs
    Fui lá ler a outra parte para entender melhor a história, o que me fez lembrar de uma frase que eu digo em determinadas situações: “a vida está aí pra ensinar, não vou passar a mão na cabeça de ninguém para evitar este ensinamento.” Não sei se ficou claro o que tento dizer com a frase, mas eu digo isso nos momentos em que as pessoas se vitimizam, querendo que eu (ou outra pessoa qualquer) tome as dores dela etc etc, para que ela possa continuar vendo a vida pela janelinha. Eu não faço isso. Eu ajudo, eu aconselho, eu tento encontrar uma saída, mas só se for juntos. Se a pessoa tiver consciência de onde errou ou quiser encontrar essa “consciência”. E, por ser muito racional, toda decisão que tomo está baseada no princípio de ação e reação. E para toda reação e suas consequências, sou responsável por elas. Mesmo que seja na dor e no prazer. Porque eu não evito nem um, nem outro, uma vez que faz parte das minhas decisões e escolhas. Amar não é racional, mas pode ser menos complicado quando se assume a responsabilidade de seus atos, a partir da decisão que se toma de viver esse amor.
    Quanto aos erros sucessivos, citados no caso da Helena, quantas vezes já fui Helena na vida… e quantas vezes, realmente, me arrependi? Nenhuma. Foi uma escolha minha “viver” esses “erros”. Acredite, um “grande erro” virou um casamento de 7 anos, com um casal apaixonado até hoje, vivendo em Berlin. Porém, esse forma de enxergar a minha vida, foi uma forma que escolhi para poder viver fora da janelinha. Nem todo mundo entende, ou nem todo mundo consegue. Talvez também, seja isso confundido com coragem.

    Bjs!

    • Eve, olá! Maravilhoso o seu comentário! Amei a parte em que diz que não evita nem o prazer nem a dor e que o amor pode sim ser encarado de forma racional (ao contrário do que muitos pensam), e assim pode ser menos complicado… Optar pela vida, é um ato de coragem… Pelo menos é o que tenho visto ao meu redor… Beijo grande!

  2. Queridas…isto é viver….
    Devemos nos arrepender daquilo que não fizemos, que não curtimos, do prazer que desperdiçamos por medo….por receio de ser julgado….
    Continuo afirmando: VIVER É FÁCIL!!!! SÃO AS PESSOAS QUE COMPLICAM!!!, pois preferem a comada posição da janelinha do que as intensas emoções que viver proporciona, se isto é coragem, reamente não sei….sinto que isso é viver acertando ou aprendendo pois, não acredito em erros…só em ensinamentos.
    Quanto a Helena, se não tivesse ido com Páris…tudo seria diferente e, será que sua vida com Menelau mereceria ser uma história que ficção ou não atravessou o tempo.
    A resposta é fácil!!! não !!! falta combustão….a vida é movida pelo amor, pela paixão, pelo tesão, rsrsrs
    bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s