Resposta para a Megalônia da Garoa

“A esponja da Babilônia a todos suga, certamente; no corpo inteiro dele, entretanto, reluz o azeite da escolha e, portanto, untado, liso e escorregadio só por opção ele aceita aderências; ainda assim, os estudos o abduziram, sem dúvida; a moradia, não. O celular não se afogou nas cataratas, mas viveu o mesmo trauma do outro da Paulista: abandonou o dono num sábado de manhã ensolarado, sob a mira de um 38 paraguaio. Foi a experiência mais visceral com a Babilônia. As relações internacionais se instalariam de fato a partir daí para ele.

‘Desvencilhado’, ‘obrigação’ (ainda que ‘pseudo’) e suas reverberações são qualificativos abolutamente estranhos à compreensão dele e não regem jamais o princípio das aproximações humanas para ele, sejam aquelas tanto mais lascivas quanto aquelas mais amicais. O tempo separa, crê ele, e só. Não acaba nunca com o prazer do ter sabido de uma existência afim.

Mas há entretantos nestes intervalos de emboras. Os signos foram agulhas enferrujadas na pele gangrenada, por ocasião da última possível vez de um encontro no Ibirapuera; disse ela, então, (com alguma variação à forma original): vc tem mesmo como chegar ao Ibirapuera? O problema, para letrados, ela sabe, é o que há para além da letra. Como ele deveria interpretar aquele ‘mesmo’? A interpretação que ficou foi a de que a presença dele já nao era desejada. Por trás daquele ‘mesmo’ escondia-se uma recusa? O silêncio cimentou a dúvida. E a distância fez o resto.

Ele agradece o contato. Apazigua igualmente o pensamento dele. Felicita-a pela longa conversa com alguém incrível (cada vez mais raras, no ordinário). E retorna beijos à Megalônia da garoa.”

TRÉPLICA

 … E as pessoas se perdem pelos meandros das palavras, da distância e do tempo… O tempo separa, só isso. É o que diz, sabiamente, o poeta. Ela concorda e desfaz mais um nó, ainda que o forasteiro babilônico na megalônia da garoa pudesse se perder e ela quisesse saber mesmo se ele saberia ir do ponto que aportasse, até o rendez-vous. Ou ainda que a única frase que ela gostaria de ter ouvido naquela tarde de abril fosse mesmo “quero te ver”, em meio a uma chegada (tão esperada e desejada) que nunca chegava. Falha a palavra, fala o equívoco. Mais um. Na Megalônia fica uma amiga, sempre. E ela gostaria mesmo de ter notícias dele, por mais que a esponja babilônica o sugue demais. Da conversa com pessoas incríveis, fica a certeza de que sempre vale a pena tentar resolver pendências e desatar nós, ainda mais pela alma de ninguém ser pequena. E ficam beijos, com igual quantidade de carinho que as cataratas têm de água.        

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