Patagônica epifânica

Catedral Metropolitana de Santiago, no Chile

Não, esse título não é o nome de um novo pacote de viagens de uma agência!

Epifania num sentido amplo e gerérico é uma aparição ou manifestação divina. Em literatura usa-se muito esse termo para se referir ao momento no qual a narrativa traz uma revelação, por meio de um episódio marcante. Uma simples e rotineira narrativa pode trazer um momento em que as personagens (ou o leitor por meio delas!) têm uma percepção de uma realidade atordoante e inusitadamente forte, que se revela pela súbita consciência de algo, num próprio momento de êxtase.

Uau! E, afinal, por que estou falando tudo isso? Para contar sobre a travessia dos lagos andinos, para tentar explicar o porquê da demora em escrever (afinal, não é nada fácil controlar o êxtase) e mostrar como eu entrei num novo e desconhecido mundo, epifânico e mágico, que reverbera em minha alma a cada respiração. Quando eu fiz essa imagem que abre o post, ainda sem imaginar o que eu encontraria, havia um prenúncio de exploração e emoção que me vieram à mente no momento em que cliquei e que me mostrariam novos caminhos dali por diante.

Patagônia chilena e argentina

Sempre que eu ouvia qualquer menção à região da Patagônia, a minha associação era com algum lugar muito distante, bem no fim do mundo. O que eu não sabia é que a Patagônia é muito grande e que, apesar de no Sul ser chamada de “fim do mundo”, em meio à Terra do Fogo; no Norte, é como se estivéssemos no início dele. É tanta beleza que o mundo só pode ter começado ali! 

E, com essa mania de acreditar que a natureza obedece aos desígnios geopolíticos do ser humano, pensava que só a Argentina era “dona” de tudo isso, afinal, só se ouve falar em “Patagônia Argentina”. Ledo engano, ela abrange também o Chile e, nada melhor (para desculpar-me por tamanha ignorância) que conhecê-la nos dois lados.

Confesso que sempre fui muito descrente em relação à mudança das pessoas. Mesmo acreditando no poder renovador de uma viagem, nunca imaginei que a regeneração da alma também pudesse ocorrer num período tão curto. Atravessar a Cordilheira dos Andes, navegar por lagos profundos e de cor verde-esmeralda, subir a “cerros” incríveis e pousar os olhos, todo o tempo, em árvores, flores, vulcões e águas deixou marcas profundas em mim, ainda que em tão pouco pouco de contato. Tenho certeza de que a epifania se deu em seu três estados. Foi uma epifania sublimatória (sublimação do ser/existir), libertária (quebra de paradigmas cristalizados) e de encantamento (natureza artística). Talvez por isso tenha sido tão intensa… E, como acredito que doses homeopáticas sejam muito melhores para desmembrar toda essa visão, contarei aos poucos essa experiência, com o antes de chegar à Patagônia (em Santiago do Chile), durante a travessia da Cordilheira, a visão do campanário e a volta para a realidade em Buenos Aires.

Caro leitor, você já teve uma sensação assim? Como foi? Ele se desfez ou se sedimentou na alma?

Lago Llanquihue e vulcão Osorno - Puerto Varas/Chile
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