31/365 Mimese

E o que fazer quando a gente encontra um livro que trata de uma história de situações pelas quais ou nós já vivemos ou já presenciamos ou já agimos igual ou já agiram igual conosco? A arte imita a vida e, o melhor, de forma sincronizada, bem na hora em que se resolve eliminar certas tranqueiras emocionais. É isso, está valendo a leitura de “Alta Fidelidade” do Nick Hornby e só tenho a agradecer (pela leitura, pela reflexão e pela indicação). E, se às vezes dá vontade de esmurrar o Rob, talvez seja o reconhecimento em nós de alguma situação que ele descreveu. Primeiro a mimese, pra daí começar a catarse.

“Aos dezessete anos, nos tornamos tão amargurados e pouco românticos quanto nossos pais.”

“A gente namorou por dois anos, e cada minuto desse tempo foi, para mim, como me equilibrar num parapeito perigosamente estreito. Nunca conseguia me sentir confortável, não sei se vocês me entendem; não havia espaço pra dar uma espreguiçada e relaxar. Ficava deprimido com meu guarda-roupa pouco vistoso. Ficava ansioso pensando nas minhas habilidades como amante. Não conseguia entender o que ela tinha visto no sujeito da tinta laranja, não importava quantas vezes ela me explicasse. Me preocupava que nunca, jamais eu chegaria a ser capaz de dizer pra ela alguma coisa interessante ou divertida sobre o que quer que fosse.”

“As pessoas se preocupam que as crianças brinquem com armas e que os adolescentes joguem vídeo games agressivos; assusta que possam ser dominados por algum tipo de cultura da violência. Mas ninguém se incomoda que esses jovens ouçam milhares – literalmente milhares – de canções sobre corações partidos e rejeição e dor e sofrimento e perda. As pessoas mais infelizes que conheço, em termos românticos, são as que mais curtem música pop; e não sei se foi a música pop que causou o sofrimento, mas o certo é que essas pessoas já escutam canções tristes há mais tempo do que vivem suas vidas infelizes.”

“O nosso foi um casamento de conveniência, tão cínico e mutuamente vantajoso quanto qualquer outro, e eu achava, de verdade, que talvez pudesse passar uma vida inteira ao lado dela. Não me importaria. Ela era legal.”

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4 comentários

  1. alegra-me o fato de você ter gostado. 😉 o filme será igualmente divertido (a despeito do fato de se passar em chicago, fato que felizmente não traz prejuízo algum à fita). e a sobre a identificação… é uma história sobre relacionamentos que pouco ou nada tem de glamour ou endeusamento. as chances de termos visitado situações como as mencionadas são bem grandes.

    • Hermes, em Chicago tem o United Center (The Madhouse), local onde o melhor time do século XX treinava e tem a estátua do Jordan! Só por isso, a cidade já vale a pena! Risos
      Sim, você tem razão. Só espero internalizar o fato de que padrões de repetição podem e devem ser quebrados, senão a gente fica patinando (trocadilho) e batendo cabeça a vida toda (sem capacete).
      Beijos,

      • chicago? ok. bulls? hmm. i’ll pass. mas é aquilo: tudo depende da companhia.

        a quebra de padrões é a parte mais complicada. antes de mais nada há que se identificá-los, e aí vislumbrar um jeito de reescrever a história.

      • Ter consciência disso já é um passo adiante para reescrever a própria história, como vc diz. Não é mesmo?
        😘

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