42/365 Picotar e remendar

Muita gente me pergunta qual é a graça de fazer patchwork. Afinal, eu compro o pano inteiro e depois picoto tudo em faixas, quadrados, costuro daqui, dali e junto tudo de novo para montar os blocos. Bom, para mim o barato da técnica é o fato de se poder montar o que quiser, com uma arte geométrica.

Escolher as cores (etapa mais difícil), montar diagramas, aprender blocos, calcular medidas em polegadas, costurar pedaço a pedaço o pano, abrir costuras (assentar as costuras com ferro), criar peças maiores e transferir medidas e, depois, quiltar com movimentos livres, a partir de padrões de desenhos. Tudo isso, para mim, funciona como uma meditação, eu esqueço de tudo e só sinto o prazer do toque do pano e do desenho se formando.

Sem contar que quilts remetem àquilo que eu mais amo: um tempo friozinho, enrolada num belo quilt (feito por mim), sentindo o calor e o aconchego de estar assim. Se possível, tomando uma imensa xícara de chá, lendo ou vendo séries (suspiros, suspiros, suspiros… ou delírio em meio a esse calor que parece não acabar nunca!)… Melhor que isso, só se o coração também estiver quentinho, não há mais nada a se desejar.

Arte geométrica, meditação e aconchego eis as palavras que definem a graça de fazer patchwork para mim. E, quando a gente passa, praticamente, o dia fazendo isso (aula + tarefa de casa) e vendo um lindo bloco se formando, aí sim é hora de agradecer pelo dia delicioso…

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Um comentário

  1. que engraçado… analisando friamente o caso, é mais ou menos o mesmo processo por que passo quando me ponho a fazer uma música em meus aparelhos. eu escolho os timbres de caixa, de bumbo, pratos; decido se coloco batidas de palmas e outros instrumentos; altero efeitos de decaimento, e brinco com filtros passa-faixa; saio marcando nas trilhas onde cada evento acontece, e aos poucos eu tenho uma batida.

    depois escolho um timbre de baixo, e que efeitos vou usar (ou não), para logo depois marcar os momentos em que as notas devem soar. por fim, configuro o sintetizador com o tipo de onda que eu quero, bem como aplico os mais variados filtros para obter uma melodia que case com a harmonia. (e depois disso vêm as gravações em vários takes até encontrar alguma coisa satisfatória…)

    no fim das contas, tudo começa a partir de fragmentos. e é claro que no seu caso entra aquela coisa concretista do

    forma
    deforma
    reforma
    conforma
    informa
    transforma

    e essa etapa de desconstrução é algo que não existe em meu processo, mas isso descontado, es casi lo mismo. (lembrei-me de uma ocasião em que passei 6h debruçado em cima de uma bateria eletrônica para obter um resultado de 6 minutos…)

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