49/365 Encontros

É praticamente um “clássico” da cogumelice pollyana e fofa mencionar a cena da raposa em “O pequeno príncipe” de Saint-Exupéry para se referir à ansiedade de um encontro, aos laços criados, à expectativa, ao “cativar” (em francês, a palavra é bem mais interessante, realista e honesta com as partes envolvidas: APPRIVOISER ou CRÉER DES LIENS). Quem nunca? Mas, nada como quebrar regras e, como a leitura da vez é “Alta fidelidade” do Nick Hornby, então a referência virá do protagonista desse livro (Rob), o que é muito mais factível, aliás.

“Enfim, isso tudo é pra dizer que a mulher que vi desembarcar daquele táxi momentaneamente me inspirou e consolou: talvez eu não esteja tão velho que não possa ser a causa de um deslocamento de uma parte a outra de Londres e, se algum dia vier a namorar outra pessoa, e combinar de encontrá-la, digamos em Islington, ela tendo que vir de Stoke Newington, um trajeto de uns cinco ou seis quilômetros, vou agradecer à moça do fundo do meu combalido coração de trinta e cinco anos.” (p. 105)

O Rob tem muitos momentos epifânicos no decorrer da narrativa, o que é incrível. Quando ele percebe essa dimensão da inspiração e do consolo que o momento de um encontro causa, é hora de começar a admirá-lo e descobrir que, sim, ele é um cara legal. E, sim, quando a gente sente a mesma coisa e um coração combalido fica inspirado e consolado, é momento de agradecer.

Anúncios

12 comentários

  1. Eu simplesmente achei que essa é a melhor referência (ou não-referência… rs) a Saint-Exupéry e seu “O Pequeno Príncipe” que eu li nos últimos tempos!! Já estou com vontade de conhecer esse Rob e, quem sabe, dar uma “amadurecida emocional” com suas experiências… rs
    Beijos! ;*

    • Franklin, você que toca e ama música, vai se divertir com o livro. Foi aquele que comprei aquele dia, lembra? Risos, você é fã do Le petit prince? Risos
      Beijos

      • Lembro-me bem! E já estou cogitando adquiri-lo para minha coleção… rs
        Poutz, assumo: sim, sou fã do “petit”! Já o li umas 10 vezes, inclusive em inglês. Fui na pré-estreia do filme. E depois assisti novamente em casa.
        Sempre tenho a sensação de que a singeleza com a qual ele toca em determinados assuntos, mesmo que sejam um tanto “cliché”, poderiam fazer a diferença em tempos de tamanha indiferença.
        Beijos!

      • você me recriminaria se eu dissesse que tenho um exemplar de Der Kleine Prinz? e se eu te pedir para me desenhar um carneiro, fá-lo-a de boa vontade? 😉

      • Risos
        Peguei no ponto fraco de todo mundo! Risos
        Lógico que não! Eu tenho duas edições: português e francês. Creio que o grande mal foi ter visto a Luana Piovani no Teatro Bradesco, como pequeno príncipe… “desenha um carneiro”… Fiquei traumatizada, isso sim!
        😉

      • Risos… Estou quase me arrependendo de ter falado do livro… Estou quase apanhando dos fãs! Se você soubesse como desenho mal, jamais me pediria isso… Risos e beijos

  2. cogumelice pollyânnica e fofa: meus dentes ficaram todos cariados agora! o_O

    e sim, mr. fleming é um cara legal: crível, humano – por isso, com inúmeros defeitos. todos ficamos “jumpy” e “uneasy” (teria eu comentado que adoro silepses de número?) em situações como essas. se isso não acontecer, pode descer o caixão.

    • Hermes, me acabei de rir com a história dos dentes! Sim, crível, humano e cheio de defeitos (oi?). Será que todos? Às vezes tenho a impressão de que as pessoas, cada vez menos, estão atentas aos detalhes e às situações… Espero que não…

      • mas você pediu por isso com essa introdução nefasta! ^_^

        a questão dos detalhes e a desatenção: eu havia escrito num passado nem tão remoto assim um texto que falava sobre a rapidez com que um sorriso se desfaz no rosto, e também sobre como as relações estão descartáveis. na verdade, há uma série de fatores nisso, entre eles a noção do que temos (ou não) como métricas de sucesso e objetivos de vida. há que se considerar que algumas mulheres resolvem priorizar a carreira pessoal em detrimento (temporário) de uma relação conjugal (e eventuais acontecimentos como a maternidade), para depois de estabelecidas visitarem esses “momentos” – só que aí a vivência de relacionamentos passados e a falta de paciência para com eles faz com que se opte pela permanência na vida solteira (e de mãe, caso prole = 1 – refinada essa referência hein? C! ehheh)

        e tempos atrás falava de uma série de questionamentos – retóricos, mas nem por isso menos importantes – a respeito do posicionamento do homem em virtude dessa ascensão feminina, e como ele se portaria diante disso: o que fazer? como proceder? o que é ser homem? se a figura do cara provedor se tornou um mito datado e preso numa realidade que já tem entre 30 e 50 anos, o que nos restaria? (e toda aquela discussão sobre vulnerabilidade…)

        entra aí também a infame “era da informação”, em que tudo nos chega à velocidade da luz (fibra óptica, sua linda!), e os relacionamentos viram fast-food, e as pessoas passam pelas “prateleiras dos supermercados”, testam esse ou aquele “produto” – ou compram pela internet e ainda têm 7 dias pra devolver, por arrependimento – e descartam-no a seguir, porque “fulano não se enquadrou ao meu parâmetro”… nah.. pra mim, relacionamento = trabalho. e muito. e se trabalho fosse fácil, não adviria de tortura. (familiar essa definição?)

      • *todos ficamos* – ou como escrevemos em nosso convite de formatura do 2o grau: “os formandos convidamos-lhe para a festa…” fantástico isso! só perde para uma certa antonomásia…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s