50/365 Despedidas

As cenas de despedidas nos filmes e nos livros são sempre muito marcantes. Na ficção, independe se a despedida é temporária ou permanente, ela sempre será carregada de emoção e lágrimas. Na vida real, quase nunca é assim. Quase.

Penso que chegadas e encontros tenham o encantamento que só a sensação da primeira vez pode trazer (e, por primeira vez, entendamos a sensação em um tempo/espaço/pessoa que nunca será igual a outro).

Agora, sinto que despedidas trazem um “ar de eternidade” muito raro de ser percebido e de acontecer. Pare para analisar e verifique se você é capaz de listar 5 despedidas (risos, a mania de listas que aparece em “Alta fidelidade”, risos) que tenham marcado sua memória a ponto daquilo fazer parte do seu ser… Viu só, como é raro? Pois bem, e o que fazer quando isso acontece e a gente tem a certeza de que é um momento assim? Assimila e ajusta esse sentimento dentro de si, depois agradece, e muito. E para ajudar nessa assimilação, que venha Drummond (sempre ele!).

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

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5 comentários

  1. despedidas. uma foi realmente marcante, e eu nunca havia me visto daquele jeito antes: como uma criança em seu 1o dia de aula, vendo os pais ficando atrás do portão (seria esse um 2o corte do cordão?).

    e eu não consigo pensar em despedidas, mas sim em rupturas.

    i) quando disse à minha mãe que iria abandonar o curso de eng. mecânica (e ela percebeu que já não tinha mais o poder de decidir meus rumos)
    ii) minha 1a tarde no rio no dia 2/1/2005, significando que dessa vez não haveria retorno para meu quadrado (antes eu vinha para fazer cursos. dessa, seria para morar)
    iii) quando escolhi andar de moto.

    e várias outras que não me ocorrem só porque resolvi listá-las.

    e acho que chegadas podem sim ser igualmente “fossilizadas em âmbar”. 🙂

    • Hermes, essas rupturas que você menciona são excelentes exemplos de ritos de passagem. Nossa, e como são importantes! Ah, e por que andar de moto também foi uma delas? Beijos

      • por quê? quem escolhe deliberadamente uma atividade que é sabidamente arriscada? se a moda é aversão a risco, não consigo ver doutra maneira essa decisão.

      • E você acha que essa ruptura que o fez, deliberadamente, correr riscos, mudou algo em sua maneira de agir na vida?

      • olha a enrascada… na vida? difícil responder. teria de investir algum tempo e pensar isso pra falar qualquer coisa. talvez a constatação de que a gente tem controle sobre pouquíssimas coisas na vida (e que todo acidente pode ser evitado).

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