141/365 Run, run, run 

Alarme. Café da manhã. Conversa sobre situação política. Hostilidade. Feira. Banho. Passo acelerado. Trem esmeralda. Metrô amarelo. Metrô verde. Respiração. Rendez-vous. Passo acelerado. Suadeira nos olhos. Metrô azul. Metrô amarelo. Trem esmeralda. Passo acelerado. Hostilidade. Conversa sobre situação política. Trabalho. Banho. Cama. Alarme.

Essa visão ordinária da vida como se fosse um vídeo clipe, deixa a poesia da existência nas entrelinhas da pressa e dos conflitos. Sim, há poesia nas entrelinhas quando a gente se surpreende em olhar um dia tão bonito. Dia bonito pela luz que incidia sobre a rua, pela poesia gratuita que pode surgir em resposta a uma pergunta ao estar sentado num banco de praça observando o movimento, ao ver as pessoas sorrindo e dançando como se estivessem sozinhas em frente ao espelho, beleza por conseguir perceber a intimidade de forma natural e descomplicada, por comer Streuselkuchen com vontade… Dia bonito é aquele quando a gente vai dormir ainda com o coração acreditando que “tudo vai dar certo” e que conseguiu perceber minimamente essa poesia escondida do cotidiano só porque soube “ter o pasmo essencial”, mesmo que não consiga seguir a filosofia do mestre Alberto Caeiro e ainda pense demais e fique sem compreender boa parte da vida.

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