168/365 DDD ♥

Dia de Deeksha.

Hoje foi dia de meditação e de Deeksha. E, mesmo que o 12 de junho seja uma data comercialmente apelativa, não deixa de ser uma motivação para se trabalhar os sentimentos e as emoções, afinal é muito marcante para algumas pessoas.

Flashback. Lembro-me de uma vez em que saí com as amigas para comemorar o Dia dos Namorados, para pessoas que não tinham namorado, num bar de samba chamado Ó do Borogodó (nem sei se existe ainda) e, o que parecia legal e audacioso do tipo “não tô nem aí pro dia dos namorados”, não passou de um momento deprimente. Flashback.

A meditação de hoje teve como motivação o trabalho com as emoções, os sentimentos e a cura do chackra cardíaco que rege tudo isso. Foi lindo, foi leve, foi animador. E, ao final, um participante pediu licença para recitar um poema do Drummond (morri!).  A meditação não poderia ter terminado de forma melhor, assim como toda a motivação para limpar o coração. E, quando a gente está num estágio em que começa a compreender o que, de fato, é amar, então tudo fica mais claro e tem mais significado.

Drummond nos cutuca um pouco mais na percepção e amplia esse sentimento que pode nascer não só de um relacionamento, mas de um “olhar de descoberta” sobre o ser humano e sobre a vida que nos cerca. Gratidão pelo coração não estar mais no estágio de “não bate nem apanha” e por mostrar que está vivo e pulsando.

AMAR

Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?

 

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor ou simples ânsia?

 

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

é amar o inóspito, o cru,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

 

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.

 

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

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