189/365 Artista? Sou sim!

images.livrariasaraiva.com.brHoje eu comecei a ler o livro que ganhei na última semana “Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade” do Austin Kleon. Devo confessar, que se eu não o tivesse ganhado, possivelmente nunca o leria por conta própria. Confesso também que tive uma grata surpresa ao lê-lo.

O autor divide o livro em 10 capítulos e, em cada um deles, de certo modo, ele rebate um possível argumento que possamos ter para uma autossabotagem artística. Pois é, foi assim que eu senti cada uma dessas dicas: todas rebatem o que poderíamos usar como uma “arma” contra nós mesmos em nosso desenvolvimento artístico. Lendo-o, eu só pensava em minhas criações em tecido, em quiltings e mais quiltings… 

Depois da leitura da incrível dedicatória que veio com o livro, momento em que parei e pensei “hummm… sim, sou uma artista também!”, meu desejo de devorar essa leitura foi ainda mais intenso. Quem sabe eu não pudesse adotar, enfim, certas ideias na minha vida?

Os primeiros 5 capítulos (dos 10) me fizeram partir para algumas reflexões:

Dica 1: roube como um artista

Sabe aquela ideia da mímesis em Aristóteles? Então, tipo isso. Afinal, não é original. A arte é imitação e imitar é aprendizagem. Não, não estou falando de plágio, mas de ideias que podem ser usadas para inspiração em nossas próprias composições. É por isso que continuo criando painéis no Pinterest e uso o Instagram como gotas diárias de inspiração (sem o tormento e chateação das redes sociais habituais). Inundo-me de cores, formas e combinações que eu demoraria muito a chegar, se não olhasse tudo o que andam fazendo, é um exercício diário de busca de referências e de estudo, por mais que pareça bizarro o que estou dizendo. Hábito excelente esse de roubar como um artista!

Dica 2: não espere até saber quem você é para começar

“Conhece-te a ti mesmo”, esse aforismo grego presente no Templo de Delfos deixa bem claro que essa é uma ação necessária e contínua, não inerte. Por isso, esperar saber quem somos completamente, o que de fato queremos são ilusões procrastinadoras que não nos permitem colocar em prática nossas ideias. E, de fato, se formos esperar até termos as respostas exatas e completas sobre nós, não começamos nada, porque essa “condição ideal” simplesmente não existe. Começar “roubando” daqueles muitos que eu admiro, pra ir criando as minhas ideias é necessário para esse processo autoral. Começar, isso é o importante!

Dica 3: escreva o livro que você quer ler

Não existe do jeito que imagina? Faça. A fórmula é simples: junte tudo o que “roubou”, misture com os próprios anseios e crie do jeito que gostaria. E essa parte é a mais interessante do processo.

Dica 4: use suas mãos

Sim, uso. E adoro. Trabalhar com as mãos, refinar a coordenação motora, produzir e criar funcionam como um momento de meditação para mim. Esqueço o tempo e a mente se aquieta, pois as mãos estão se mexendo, estão fazendo o movimento por ela e o fluxo intenso de pensamentos diminui e se acalma. Posso passar muitas e muitas horas, não me aborreço se preciso refazer, se está demorando ou o que quer que seja. Além do patchwork ou de qualquer outro trabalho craft, também tenho curtido muito conhecer um pouco sobre planners e tenho me adaptado bem ao meu pseudoplanner. Em breve, quero também montar terrários e mini-jardins.

Dica 5: projetos paralelos e hobbies não importantes

A primeira vez que me dei conta dessa questão dos “projetos paralelos” foi quando li uma reportagem sobre o projeto do fotógrafo Márcio Vasconcelos, “Na trilha do cangaço – um ensaio fotográfico pelo sertão que Lampião pisou”. Eu fiquei encantada com a ideia dos projetos autorais fotográficos, pois para os fotógrafos isso é algo bem comum e faz parte desse treino do olhar sobre o mundo. Fiquei pensando muito nisso, pois talvez o que onere ainda mais o cotidiano de quem não está envolvido diretamente com a arte (trabalha em banco, empresa, escola, blá blá blá) seja justamente o fato de não dar um “sentido autoral” para a própria vida. Eu vejo nos projetos autorais uma forma disso acontecer e superar um pouco esse prosaico capitalista de sobrevivência. Se projeto autoral eu já acho algo importante, ter um hobby, acho essencial. Uma vez li uma explicação muito interessante sobre essa palavra “hobby” e como os alemães a veem: para eles hobby é uma atividade levada a sério, quase num nível profissional e/ou acadêmico e se não for assim, o que a pessoa faz então é Freizeit Aktivität (atividade no tempo livre, que pode ser variada e não precisa ser aprofundada. Por exemplo, para um alemão, se a pessoa diz que seu hobby é ir ao cinema, ele acreditará que você é um cinéfilo, nada menos que isso. Agora, se você diz que ir ao cinema é uma das atividades que gosta de fazer no tempo livre, então é só uma atividade. Gostei dessa diferenciação, porque normalmente chamamos qualquer atividade no tempo livre de hobby.

E, as reflexões ficaram muito extensas… Bom, isso é um ótimo sinal, pois mostra que o livro me fez analisar alguns de meus posicionamentos e do meu papel enquanto artista. (affff…. agora ninguém me segura de ficar repetindo isso! risos… culpa da dedicatória que me acordou pra essa realidade! risos). E, não é pra agradecer muito por isso? 😀

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3 comentários

  1. nunca o leria por conta própria? por quê? curioso que eu não lembro qual foi a chave de busca que me levou a um excerto do livro, mas foi justamente a imagem que encontrei que me chamou a atenção e me fez comprá-lo. vai faltar parede para pendurar quadros dos meus “mestres”… o_O

    • Como o livro tem cara de best seller, não me chamaria a atenção. Não que eu tenha problema com esse tipo de leitura, mas porque eu sempre procuro literatura antes, não um livro com esse tipo de temática. E você sabe que eu adorei o livro! Muito obrigada! 😘

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