Literatura, sua bandida!

Apaixonar-se por literatura é um caminho sem volta. Mesmo. Uma vez ouvi o seguinte “a faculdade de Letras é uma fábrica de angústias”. Sim, de fato é. E não por conto do tenebroso futuro pedagógico que aguarda a quase todos ao final do curso, mas porque pensar, refletir, analisar e conhecer são atividades que despertam aquilo que há de mais profundo em nossas entranhas da alma. Também sim, a ignorância é uma bênção! E, como ser um leitor sagaz não é o suficiente para alguns, há quem se aventure a escrever também. E a escrever brilhantemente. Se ser um leitor cria uma fábrica de angústias, imagino que ser escritor transforme tudo isso em uma usina. Talvez uma usina nuclear.

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Dedicatória do querido Alexandre, quando me deu o livro

 E, como a vergonha alheia para citar detalhes do ocorrido no último dia 17 é gigantesca, segue um trecho escrito pela jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho sobre a entrega do prêmio Camões a Raduan Nassar.

7. Claro que o ministro sumirá da história e a obra do premiado fica, enquanto houver alguma forma de livro no planeta. Para os livros de Raduan Nassar é indiferente o que passou na sexta. Mas a nós, contemporâneos, importa, sim, que um membro do poder político abuse do cargo, confundindo, distorcendo e agredindo um criador como Raduan, protagonista único da cerimónia, que lhe devia merecer, no mínimo, silêncio. Não cabe ao ministro aprovar ou reprovar o discurso do premiado, não lhe cabe responder. Tal como não é preciso alguém estar de acordo com Raduan politicamente para entender como foi absurdo o que se passou. O prémio não é deste governo, é patrocinado por dois Estados, e atribuído por um júri. A sua aceitação nunca deverá implicar um discurso bem-agradecido. Um ministro da Cultura que veja os criadores como estando ao serviço não entendeu nada. Idem para quem sugere que se pode tirar a política da cultura, e vice-versa. De resto, o que o actual governo brasileiro está a fazer na Cultura é um desmonte do muito que veio sendo construído. Se há áreas em que os anos de Lula deram frutos fortes, a Cultura é certamente uma delas.” (aqui o texto dela; aqui o ocorrido na Folha S. Paulo, até eles!; aqui o discurso dele).

Sim, vivemos tempos sombrios Raduan, porém prefiro acreditar no que o Alexandre disse para mim e, agora, para você também: “Que as colheitas todas, embora tardias, jamais impeçam os sempre ansiosos momentos de plantio”. Obrigada pela sua obra, pela sua arte. Vida longa à literatura, essa bandida que nos liberta para nos jogar no turbilhão de uma usina! ;*

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