#365agradecimentos

Momentos “abensonhados”

Um evento em família para mim é um evento randômico numa probabilidade estatística de 1 para 50 milhões (aliás, a mesma da Mega-Sena!). Agora, dois eventos familiares em um único final de semana, talvez configurem motivo suficiente para eu fazer uma fezinha até 4ª feira. Vai que… ;DA sensação é a de que nem passou muito tempo assim, afinal eu ainda me lembro das crianças mestiças da família da Tia (avó) Geralda, que morava ao lado da casa do meu avô (conhecido pelos sobrinhos como Tio Tão), circulando pela rua e brincando. Sábado, a caçula dessas crianças, casou. O evento de sábado foi uma festa de casamento, com direito a padre sem noção (ai, que preguiça de gente que se acha jovem demais, descolada demais, barbudinho demais… e que cabulou as aulas de retórica no seminário), kombi pra levar os noivos, Cabine fotográfica (a vida nunca mais foi aFullSizeRender

Nos tempos da franjinha, no clima de pop art… 2013 Dortmund Hauptbahnhof (Deutschland)

mesma depois de ver uma em Amélie Poulain), Wesley Safadão agitando a pista e gente que um dia eu só ouvi falar na teogonia das relações familiares, mas que dispara perguntas suficientes para compor uma exegese da vida alheia… A vantagem de se manter sempre sóbrio é poder estar preparado para desviar de perguntas à queima-roupa, com a mesma habilidade que o Neo em Matrix e ainda sair com um sorriso no rosto só curtindo a cara de tortura do curioso frustrado. 😀

Nada disso, nem o cabelo que não ficou arrumado como eu queria (Ainda assim, saí me achando uma diva do cinema. Sim, é sério isso. Acredite, euzinha me senti desse jeito!), tornaram a noite ruim. Pelo contrário, a noite foi ótima, pois eu tive aquela rara sensação de pertencimento familiar.

A vida continua aquela meme “expectativa x realidade”, só que agora o gás está se esgotando. Iniciei e terminei o final de semana com a mesa repleta de trabalho, mais o que estava na sacola no chão e à caixa de entrada cheia de demandas. Terminei a segunda-feira com a mesa repleta e ainda parei para escrever no blog – como se eu estivesse com todo tempo do mundo para isso. Estou vivendo mais perigosamente que piloto de Moto GP no circuito da Laguna Seca ou na Ilha de Man (risos… gostou? ;*). E, exatamente por que eu sabia que seria assim, independente de eu ficar em casa ou sair, fui a um outro compromisso familiar no domingo (tudo será pior durante esta semana, eu sei).

Só que nesse evento, eu estava como agregada. E, de fato, agregada eu fui durante uma tarde extremamente gostosa, com direito a bandinha (sem medo), a oração antes da comida (acho isso tão bonito), a audição de piano, a jogar Mega-Senha (oi? nem sabia o que era isso! Só quem é filho único sabe o quanto a gente fica perdido frente a um jogo de tabuleiro) e a quase não me sentir culpada por estar… como posso dizer… tendo uma vida normal. Quando o sentimento de culpa ameaçava encostar, o prazer por estar ali, naquele instante, com aquela pessoa, com aquelas pessoas, dava um pontapé nos fundilhos desse monstro abjeto e a permitir a vida normal. Quase me senti a Pollyana no “jogo do contente”, afastando os “Dementadores” (sim, Harry Potter), por conta do bem-estar que o dolce far niente proporciona.

Fiquei com muita vontade de registrar esses momentos, ainda que isso me atrasasse ainda mais, pois talvez tenham sido os melhores dos últimos tempos, por ter sido possível conviver e estar presente de corpo, de alma e com o coração leve. Obrigada, Mia Couto, pelo neologismo que se encaixa nesse post: abensonhado.

 

 

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2 thoughts on “Momentos “abensonhados””

  1. eventos familiares não precisam ser aquela coisa bodosa e modorrenta. e quando você não é o foco deles, a vida fica muito mais fácil. 😀

    agora… man é de longe muito mais perigoso do que correr em laguna hehe! (claro que essa parte me fez rir! xD) só sendo doido varrido e de pedra pra andar a 300 e blau km/h numa pista de rua. o_O

    por fim a pergunta: abensonhado? você às vezes se imaginava nesses contextos?

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