129/365 Surya Namaskar

Aula de yoga e frio matinal combinam? Hummmm…. Eu fiquei imaginando o quão enferrujada eu estaria logo pela manhã, pois o friozinho estava bom demais, só que para ficar debaixo das cobertas, não para se exercitar…

Continuar lendo “129/365 Surya Namaskar”

70/365 In focus

Tarô. E, por causa disso, hoje eu lembrei muito do Marcos. Velho amigo, grande amigo. Lembro-me do dia em que ele veio aqui em casa, creio que já havíamos acabado o Ensino Médio e ele, com toda a sua “sabedoria mística” trouxe um baralho egípcio para jogar.

Nossa amizade foi quase instantânea, quando eu mudei pro turno da noite na metade da 2ª série do Ensino Médio. Foi muito mais fácil suportar todo o turbilhão que estava minha vida, o início do emprego, o abandono do basquete e dos amigos da manhã e alguma decepção platônica-amorosa qualquer, com nossa amizade intensa e sincera. Ele, enorme, sentava-se à minha frente e virara de lado, encostado na parede. Conversávamos muito. Sempre olho no olho. Ele, namorava uma das meninas mais cobiçadas da escola, era presidente do grêmio, um sorriso e uma simpatia incríveis. Bolamos a In Focus no último ano e eu fazia a edição datilografada da revista!

Ele já analisava as atitudes das pessoas, ensinou-me a conversar olhando nos olhos, falava e1m energias e chegou nesse dia com essa novidade. Seus olhos verdes e profundos e a seriedade com que ele fazia aquilo são inesquecíveis. Bem, o que ele me falou? Não sei, não lembro. Só lembro das mãos dele embaralhando aquelas cartas lindas e enormes e, por vezes, consultando o livro para se certificar do significado. Não há como negar o momento mágico. E, como sempre acontece quando lembro dele, penso na escolha que ele fez (para não sofrer mais), lembro da esposa possessiva, reflito sobre no que ele se tornou, penso no exemplo perfeito de perda da identidade, sinto saudade e raiva por não poder mandar nem uma mensagem. Lembro que este foi o primeiro ano que eu comecei sem uma ligação dele na passagem do Ano Novo. Ainda assim, ele foi e sempre será uma das pessoas mais queridas e importantes que já cruzaram a minha vida e uma das raras que, de fato, eu sinto falta. E, por um dia ele ter cruzado meu caminho, é um grande motivo para agradecer.

56/365 Mais um final

Hoje eu fui realizar a última prova escrita do curso EaD que eu estava fazendo. Incrível é o fato da prova se chamar “defesa escrita de TCC” (#cursosucateado). Excetuando-se a qualidade do curso e a percepção de que, na realidade, um curso de “Design Instrucional” ainda não tem servido para eu mudar minha área profissional, é sempre boa a sensação de concluir um projeto.

Eu gosto de concluir aquilo que eu começo, inclusive porque consigo exercitar ainda mais minha visão crítica sobre o processo. Já descartei a ideia de um doutorado nessa área e de atuar tão exclusivamente nisso. E isso já é um bom começo. Em situações assim, eu sempre me lembro da cena final da personagem Cristina (a linda Scarlett Johansson) em “Vicky Cristina Barcelona” está indo embora de Barcelona e tem a certeza de que ainda não sabia o que ela queria pra vida dela, mas que ela tinha certeza daquilo que NÃO queria. Simples em relação a um curso, essencial em relação as outras áreas da vida. Gratidão por mais essa percepção.

53/365 I´m feeling good

Pois é, estou me sentindo bem, apesar de… ser meu aniversário. Minha relação com essa data sempre foi esquisita, mas o dia de hoje foi bom. Não, não tive festa surpresa, recebi poucos cumprimentos e um único presente. E o dia foi bom. E eu me sinto bem. Lógico que receber e-mail de perto adiantado e de longe atrasado é sempre muito bom. Lógico que receber áudio com parabéns e canção pelo celular é muito bom também. Lógico que ir almoçar com as amigas num outro dia pra comemorar (e ganhar mais presentes), será igualmente bom. Lógico que receber ligações dos então amigos do Ensino Médio, até que foi bom (é porque algumas assombrações, melhor se nem tivessem ligado). Mas, sinto-me bem e não tem nenhuma relação com nada disso e, por isso, o dia de hoje é de gratidão.

E, pensando em como me sinto bem, veio-me a Nina Simone, a diva. A primeira vez que a ouvi foi com a música “Just in time”, em cena do filme Before Sunset (2004). Adorei a voz dela e, sempre que podia, eu a ouvia. E, quando, num final de ano, a Lenice me enviou esse link de presente, ela acertou em cheio no seu presente e no seu carinho. Pois é, ela fez aquilo que o Rob de “Alta fidelidade” demorou a aprender: presentear pensando na pessoa.  Nada melhor que essa música pra expressar como eu me sinto hoje: agradecida e com a esperança de um novo tempo.

22/365 Sobre o silêncio

Eu adoro o silêncio: estar no silêncio, ficar em silêncio. É no silêncio o momento em que eu mais dialogo… e observo… e percebo… e leio… e mudo. Ao contrário de muita gente, o silêncio para mim nunca é significado de solidão.

E aí que a pessoa resolve aqui resolve sair no domingo a tarde para resolver umas pendências em duas lojas. E eis que me deparo com o barulho ensurdecedor das pessoas! Como o povo fala alto, manda nos outros o tempo todo, empurra e… incomoda. Bah! O que mais me chamou a atenção, no entanto, é que tanto barulho não significava conversa ou diálogo, somente ordens. A família sai pra fazer compras e o “sargento” da casa é quem faz todo esse furdúncio. Visível a falta de democracia familiar. Um horror, na verdade…

Pensei que fosse só implicância minha, mas num certo momento minha mãe disse “que barulho, vamos embora, depois a gente resolve isso”. Nem pestanejei e já agradeci pelo silêncio!

E lindos são os versos de Drummond (casa comigo?) no poema “Constante diálogo”:

“[…] Escolhe teu diálogo/ e / Tua melhor palavra/ ou/ Teu melhor silêncio/ Mesmo no silêncio e com o silêncio / dialogamos.”

 

 

 

Transmissão de pensamento

Engraçado como ao vivenciarmos uma situação, algumas leituras nos aparecem para confirmar uma sensação que parece única e isolada. A escrita tem esse poder: materializar o inconsciente coletivo. Se há tanta gente vivendo isso, vivendo assim, (sobre)vivendo então também deve ter um monte de gente que já encontrou uma saída… (Ainda é possível ter esperanças, não? :))

Li esse texto do Marcos Fabrício Lopes da Silva e peço licença para transcrever partes dele aqui…

“Devagar, DEVAGARINHO

Marcos Fabrício Lopes da Silva*

Velocidade máxima, compreensão mínima. A pressa é amiga da pressão e inimiga da reflexão. Ligeira, a humanidade se atropela, metendo os pés pelas mãos. Sempre atrasados, tudo pra ontem, pisamos no acelerador como se não houvesse freio. À medida que aprendemos a correr, era como se desaprendêssemos a andar. Caminhar à toa parece uma ofensa, um crime de lesa-agenda. Só vale o que for programado. Pintando uma brecha, divirta-se, mas não se empolgue muito. O lazer é tido como vilão do batente. Por isso, ao invés de dignificar, o trabalho está danificando o homem.

Devorar não é o mesmo que apreciar. Estamos perdendo a nossa capacidade de contemplação e entendimento. Evitando dilemas e esforços, queremos fórmulas e atalhos. Confundimos encontro com contato. Tristes aqueles que se sujeitam aos manuais de felicidade. Estão plantando euforia e vão colher depressão. Desconhecem o prazer profundo, que é de outra ordem. No poema Minha alegria (1996), Waly Salomão soube abraçar a complexidade presente na satisfação íntima de acolher a diversidade sentimental que compõe a vida em sua magnitude, considerando perdas e ganhos: “minha alegria permanece eternidades soterrada/e só sobe para a superfície/através dos tubos de filtros alquímicos e não da causalidade natural./ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,/minha alegria: um diamante gerado pela combustão, como rescaldo final de incêndio”.

[…]

O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca como fruto de um imediatismo processual que celebra o alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios necessários para atingir determinado propósito. Tal conjuntura favorece a lei do menor esforço – a comodidade – e prejudica a lei do maior esforço – a dignidade.

Desacelerar é preciso. Acelerar não é preciso. Afobados e voltados para o próprio umbigo, operamos, automatizados, falas robóticas e silêncios glaciais. Ilustra bem esse estado de espírito a música Sinal fechado (1969), de Paulinho da Viola. Trata-se da história de dois sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem, com a promessa de se verem em outra oportunidade. Restrito a uma linguagem fática, percebe-se um registro de comunicação vazia e superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial construído pelos interlocutores: “olá, como vai?/Eu vou indo, e você, tudo bem?/Tudo bem, eu vou indo correndo,/pegar meu lugar no futuro. E você?/Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono/tranquilo, quem sabe?/Quanto tempo…/Pois é, quanto tempo…/Me perdoe a pressa/é a alma dos nossos negócios…/Oh! Não tem de quê./ Eu também só ando a cem (…)”.

Como modelo alternativo à cultura fast, temos o movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é conscientizar as pessoas de que a pressa é inimiga da perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus sentidos para desfrutar melhor os sabores da vida. Sobre o assunto, Carl Honoré escreveu o livro Devagar (2007). Momentos antes, o elogio da lentidão já tinha sido feito pelo compositor Eraldo Divagar, na sábia canção Devagar, devagarinho (1995), imortalizada por Martinho da Vila. O apressado é aqui retratado como um sujeito desastrado, que, por conta da vida alucinante, vai acabar tropeçando, podendo, assim, se machucar, além de perder a paciência e a compostura.

Quem tem pressa – continua a música – sofre do mal de querer abarcar o mundo. Agindo assim, “deu com a cara no asfalto/se virou, olhou pro alto/com vontade de chorar”. Como ensinamento, eis o bordão: “devagarinho/é que a gente chega lá”. Fica a lição de vida: “e desse jeito/vou driblando os espinhos/vou seguindo o meu caminho/sei aonde vou chegar”. Ou seja, apressado você cansa, devagar você alcança.”

Creio que essa seja somente a ponta de um problema ainda maior e que se reflete como normalidade em todas as esferas: as redes, ditas, sociais. Bom, mas isso já é conversa pra um outro post.

Não sei se cedo ou tarde (se é que se pode pensar assim), mas eu tenho tentado desacelerar. O efeito disso tem sido o seguinte: se, por um lado, sinto-me produtiva; por outro, tenho mais condições de pensar sobre a vida e o mundo, o que tem sido uma angústiva. Angústia por muita coisa não fazer muito sentido. Sobre o trabalho, dizer algo é chover no molhado. Agora, sobre as relações pessoais, pensar sobre isso, tem me deixado realmente descrente da humanidade. Nesse contexto, amor e amizade parecem até piadas de mal gosto…

Bom, mas isso também já é conversa pra um outro post.

Confirmado: pior do que está, vai ficar!

Protesto no meu bairro

O jeito é aguardar o fim das apurações e verificar o que acontecerá depois que o QE (quociente eleitoral) for aplicado… No Rio de Janeiro, as notícias já foram péssimas: figuras com uma votação ridícula como Bebeto (copa 94) e a atriz Míram Rios já podem comemorar, pois estão garantidos, graças à votação de Wagner Montes (apresentador do SBT), por exemplo…

Em São Paulo, com o recorde de votação do palhaço, quem entrará? Rosane Star, 69 com prazer, Mulher pera, Maguila ou que outra aberração?

SuperSunga no Estado das Maravilhas em 1º turno? A população não vive, não sente, só sobrevive ao caos da cidade. Só uma explicação assim para as pessoas continuarem votando nele…

Fiquei profundamente triste ao me deparar com a apuração dos votos. Tudo vai piorar, com certeza. E ainda ouviremos que os políticos é que não prestam. O que dizer então de quem vota neles? Votar em palhaço não é protesto, é imbecilidade pura.