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70/365 In focus

Tarô. E, por causa disso, hoje eu lembrei muito do Marcos. Velho amigo, grande amigo. Lembro-me do dia em que ele veio aqui em casa, creio que já havíamos acabado o Ensino Médio e ele, com toda a sua “sabedoria mística” trouxe um baralho egípcio para jogar.

Nossa amizade foi quase instantânea, quando eu mudei pro turno da noite na metade da 2ª série do Ensino Médio. Foi muito mais fácil suportar todo o turbilhão que estava minha vida, o início do emprego, o abandono do basquete e dos amigos da manhã e alguma decepção platônica-amorosa qualquer, com nossa amizade intensa e sincera. Ele, enorme, sentava-se à minha frente e virara de lado, encostado na parede. Conversávamos muito. Sempre olho no olho. Ele, namorava uma das meninas mais cobiçadas da escola, era presidente do grêmio, um sorriso e uma simpatia incríveis. Bolamos a In Focus no último ano e eu fazia a edição datilografada da revista!

Ele já analisava as atitudes das pessoas, ensinou-me a conversar olhando nos olhos, falava e1m energias e chegou nesse dia com essa novidade. Seus olhos verdes e profundos e a seriedade com que ele fazia aquilo são inesquecíveis. Bem, o que ele me falou? Não sei, não lembro. Só lembro das mãos dele embaralhando aquelas cartas lindas e enormes e, por vezes, consultando o livro para se certificar do significado. Não há como negar o momento mágico. E, como sempre acontece quando lembro dele, penso na escolha que ele fez (para não sofrer mais), lembro da esposa possessiva, reflito sobre no que ele se tornou, penso no exemplo perfeito de perda da identidade, sinto saudade e raiva por não poder mandar nem uma mensagem. Lembro que este foi o primeiro ano que eu comecei sem uma ligação dele na passagem do Ano Novo. Ainda assim, ele foi e sempre será uma das pessoas mais queridas e importantes que já cruzaram a minha vida e uma das raras que, de fato, eu sinto falta. E, por um dia ele ter cruzado meu caminho, é um grande motivo para agradecer.

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56/365 Mais um final

Hoje eu fui realizar a última prova escrita do curso EaD que eu estava fazendo. Incrível é o fato da prova se chamar “defesa escrita de TCC” (#cursosucateado). Excetuando-se a qualidade do curso e a percepção de que, na realidade, um curso de “Design Instrucional” ainda não tem servido para eu mudar minha área profissional, é sempre boa a sensação de concluir um projeto.

Eu gosto de concluir aquilo que eu começo, inclusive porque consigo exercitar ainda mais minha visão crítica sobre o processo. Já descartei a ideia de um doutorado nessa área e de atuar tão exclusivamente nisso. E isso já é um bom começo. Em situações assim, eu sempre me lembro da cena final da personagem Cristina (a linda Scarlett Johansson) em “Vicky Cristina Barcelona” está indo embora de Barcelona e tem a certeza de que ainda não sabia o que ela queria pra vida dela, mas que ela tinha certeza daquilo que NÃO queria. Simples em relação a um curso, essencial em relação as outras áreas da vida. Gratidão por mais essa percepção.

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53/365 I´m feeling good

Pois é, estou me sentindo bem, apesar de… ser meu aniversário. Minha relação com essa data sempre foi esquisita, mas o dia de hoje foi bom. Não, não tive festa surpresa, recebi poucos cumprimentos e um único presente. E o dia foi bom. E eu me sinto bem. Lógico que receber e-mail de perto adiantado e de longe atrasado é sempre muito bom. Lógico que receber áudio com parabéns e canção pelo celular é muito bom também. Lógico que ir almoçar com as amigas num outro dia pra comemorar (e ganhar mais presentes), será igualmente bom. Lógico que receber ligações dos então amigos do Ensino Médio, até que foi bom (é porque algumas assombrações, melhor se nem tivessem ligado). Mas, sinto-me bem e não tem nenhuma relação com nada disso e, por isso, o dia de hoje é de gratidão.

E, pensando em como me sinto bem, veio-me a Nina Simone, a diva. A primeira vez que a ouvi foi com a música “Just in time”, em cena do filme Before Sunset (2004). Adorei a voz dela e, sempre que podia, eu a ouvia. E, quando, num final de ano, a Lenice me enviou esse link de presente, ela acertou em cheio no seu presente e no seu carinho. Pois é, ela fez aquilo que o Rob de “Alta fidelidade” demorou a aprender: presentear pensando na pessoa.  Nada melhor que essa música pra expressar como eu me sinto hoje: agradecida e com a esperança de um novo tempo.

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22/365 Sobre o silêncio

Eu adoro o silêncio: estar no silêncio, ficar em silêncio. É no silêncio o momento em que eu mais dialogo… e observo… e percebo… e leio… e mudo. Ao contrário de muita gente, o silêncio para mim nunca é significado de solidão.

E aí que a pessoa resolve aqui resolve sair no domingo a tarde para resolver umas pendências em duas lojas. E eis que me deparo com o barulho ensurdecedor das pessoas! Como o povo fala alto, manda nos outros o tempo todo, empurra e… incomoda. Bah! O que mais me chamou a atenção, no entanto, é que tanto barulho não significava conversa ou diálogo, somente ordens. A família sai pra fazer compras e o “sargento” da casa é quem faz todo esse furdúncio. Visível a falta de democracia familiar. Um horror, na verdade…

Pensei que fosse só implicância minha, mas num certo momento minha mãe disse “que barulho, vamos embora, depois a gente resolve isso”. Nem pestanejei e já agradeci pelo silêncio!

E lindos são os versos de Drummond (casa comigo?) no poema “Constante diálogo”:

“[…] Escolhe teu diálogo/ e / Tua melhor palavra/ ou/ Teu melhor silêncio/ Mesmo no silêncio e com o silêncio / dialogamos.”