Walking Tour: pauliceia da garoa desvairada

Praça da Sé, com o Marco Zero e a Catedral Metropolitana; Palácio da Justiça; Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal; Solar da Marquesa + Museu da Cidade de São Paulo + Casa Nº 1/Casa da Imagem; Pateo do Colégio; Centro Cultural do Banco do Brasil; Praça Antonio Prado; Avenida São João; Praça das Artes, Largo do Payssandu + Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos + Ponto Chic; Galeria do Rock; Biblioteca Mário de Andrade; Terraço Itália; Praça da República. É uma caminhada que não cansa os pés nem os olhos nem o coração.

É a terceira vez que circulo pelo centro para fotografar e a sensação de fazer isso é sempre incrível. Não é um amor desmedido e sem temor, mas também não é o descaso nem o asco que normalmente acompanham quer que se seja, quando o centro histórico é mencionado. É um afeto que se tem construído aos poucos e muito bem alicerçado.

É um querer lembrar de frases em Tupi ao sentar no jardim jesuíta, é querer saber mais da marquesa que não deixou vestígios em sua própria casa, é entender e vivenciar os triângulos que formam os caminhos do centro, é surpreender-se com o centro velho e o centro novo (que já é velho há muito tempo), é querer enxergar os rios que rolam por debaixo de nossos pés, é tentar visualizar o Beco do Pinto em funcionamento, é desejar ardentemente que aquele lugar voltasse a ter a vida pulsando de um século atrás, é olhar para toda aquela gente ainda mais abandonada que o centro e sentir o coração pulsar de humanidade (sim, toda aquela gente não é a escória nem a sujeira do centro, ao contrário do que muitos pensam), é sentir a pauliceia pulsando por debaixo de tudo aquilo e ter ouvidos para escutar a poesia que ainda persiste, é notar o quanto o gestor da cidade não tem nada a ver com a cidade… (ops, não resisti, mas essa percepção foi a pura verdade!)