If you could go back in time…

After watching “Back to the Future” everybody dreams about changing something in the past, maybe this is an unconscious coletive wish.

The reason why I would change this part of the history is because nowadays I know the loss to everyone. I carried out this: to prevent Prestes Maia from becoming the mayor of São Paulo in 1938, when he implemented the road system in the city. This system was designed to favor cars, he opted for the multinational automotive companies and the real estate market. Both were benefited, besides that politicians and entrepreneurs made a profit.

If he had implemented his plan (Avenues Plan) and had also privileged the river system first, the second railway road system and only then the road system, the paulistano citizen wouldn´t have, among other problems, the terrible and seemingly unsolvable current traffic problem.

If I had power to change this specific portion of the past, I would do this as the intelligent and crazy scientist Doc Brown and how the brave and young Marty McFly.

Fiz esse texto como exercício para a prova de inglês: eu tentei usar a forma condicional, voz passiva, algumas palavras que precisam de preposições específicas, recurso de ênfase e “phrasal verbs”…

Fica a pergunta: o que você mudaria se pudesse voltar no tempo?

 

Walking Tour: pauliceia da garoa desvairada

Praça da Sé, com o Marco Zero e a Catedral Metropolitana; Palácio da Justiça; Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal; Solar da Marquesa + Museu da Cidade de São Paulo + Casa Nº 1/Casa da Imagem; Pateo do Colégio; Centro Cultural do Banco do Brasil; Praça Antonio Prado; Avenida São João; Praça das Artes, Largo do Payssandu + Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos + Ponto Chic; Galeria do Rock; Biblioteca Mário de Andrade; Terraço Itália; Praça da República. É uma caminhada que não cansa os pés nem os olhos nem o coração.

É a terceira vez que circulo pelo centro para fotografar e a sensação de fazer isso é sempre incrível. Não é um amor desmedido e sem temor, mas também não é o descaso nem o asco que normalmente acompanham quer que se seja, quando o centro histórico é mencionado. É um afeto que se tem construído aos poucos e muito bem alicerçado.

É um querer lembrar de frases em Tupi ao sentar no jardim jesuíta, é querer saber mais da marquesa que não deixou vestígios em sua própria casa, é entender e vivenciar os triângulos que formam os caminhos do centro, é surpreender-se com o centro velho e o centro novo (que já é velho há muito tempo), é querer enxergar os rios que rolam por debaixo de nossos pés, é tentar visualizar o Beco do Pinto em funcionamento, é desejar ardentemente que aquele lugar voltasse a ter a vida pulsando de um século atrás, é olhar para toda aquela gente ainda mais abandonada que o centro e sentir o coração pulsar de humanidade (sim, toda aquela gente não é a escória nem a sujeira do centro, ao contrário do que muitos pensam), é sentir a pauliceia pulsando por debaixo de tudo aquilo e ter ouvidos para escutar a poesia que ainda persiste, é notar o quanto o gestor da cidade não tem nada a ver com a cidade… (ops, não resisti, mas essa percepção foi a pura verdade!)

Pelos labirintos de Veneza

Hoje faz um mês que, pela primeira vez, eu me perdi pelos caminhos de Veneza. Nem precisei me esforçar para isso acontecer, pois chegar ao hotel já se mostrou uma aventura ao ter de atravessar quatro pontes (duas grandes e duas pequenas) obrigatórias e mais duas pontes à toa… E, perder-se e ter de andar à toa por Veneza (mesmo arrastando mala), já é um prazer. Se a cidade conta com cerca de 400 pontes, então não cheguei nem perto de ficar realmente perdida! Fica, porém, a observação: dos caminhos que me embrenhei, foi a única vez que me perdi por lá.

E, que saudade enorme apertou meu coração ao constatar esse tempo que já passou… Parece sempre que, a cada lugar novo que conhecemos, a experiência é sempre incrível. E, é. Sempre. Mais incrível que a anterior tinha sido incrível? Não, necessariamente. Incrível como só esse novo lugar pode ser, sendo ele mesmo, naquele momento. Não há melhor clichê para repetir que não este: Veneza é incrível!

Resta saber o porquê, logo que tudo por lá é antigo e caindo aos pedaços (charmosamente caindo aos pedaços)… O barulho constante de água, a ausência de automóveis, motos e bicicletas, o constante exercício de andar, o descansar na carona de um Vaporetto, o subir e descer de escadas, as janelas com flores, os italianos e as italianas coloridos e formalmente arrumados, a música no ar (mesmo nos momentos sem música)…

Ler Otelo antes de ir para Veneza foi essencial para eu pensar em sua angústia interior, seu labirinto psicológico e como ele ficou perdido naquela terra, naquelas pontes, naquelas águas, naquela mulher veneziana… Por mais que o desfecho dessa trágica história tenha ocorrido em Chipre, foi em Veneza, a Serenisima, que ele deixou perdido quem ele era… Uma tragédia do genial William Shakespeare, também transformada na intensa ópera de Giuseppe Verdi, traduz todo o impasse de uma sociedade já tão separatista. Refleti muito na leitura, quando andava por lá…

A alma de Veneza é musical, por isso andar por ela, ouvindo-a é um momento de meditação. Minha ignorância musical não me havia permitido saber que Vivaldi era de lá, mas descobri quase ao mesmo tempo em que vi a cidade pela primeira vez. Justo Vivaldi que fez meu coração bater mais forte, em uma corrida desenfreada pelo parque do Ibirapuera, para não perder o concerto a céu aberto que começava com “La Primavera”, o concerto nº 1 das Quatro estações… Isso aconteceu na virada do século XX para o século XXI e me fez fã de concertos (ainda que a ignorância ainda teime em me acompanhar) de música clássica.

Foi uma grande emoção poder ouvir Vivaldi em Veneza, numa terça-feira à noite, como se fosse uma pessoa com uma vida normal: ir a um concerto durante a semana, andar pelas ruas, usar o transporte fluvial público, não ter pressa e perceber que ninguém lá estava com pressa também… Essa experiência foi intensa, emocionante e fenomenal, certamente meus sentimentos pela cidade não seriam os mesmos caso isso não tivesse ocorrido. Se “A primavera” me fez tremer internamente na virada do século, agora é “O inverno” que reverbera profundamente em mim.

Essa alma musical da cidade é algo arrebatador, assim como a charmosa decrepitude (não, lá não é um cortiço, estou exagerando!) e as incríveis esculturas espalhadas pela cidade. Porém, falar das esculturas ficará para um outro dia. De verdade, espero voltar muitas vezes para lá, espero esperar as cidades do Veneto, espero descobrir o fio hereditário que saiu de algum ponto daquela região, com o sobrenome Cherubini. Ciao!

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Escultura “SUPPORT” de Lorenzo Quinn

Sobre ursinhos, muralhas e poemas…

Sim, a vida anda dura e eu pensei várias vezes em roubar um ursinho (relembre o caso aqui!), assim poderia terminar de escrever o “365 dias de gratidão” e iniciar muitos outros escritos sobre viagens e mundo handmade que pululam em minha mente.

A grande questão é que 2017 tem insistido em ser uma meme “expectativa vs realidade”… 😛

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No entanto, há alguns momentos em que a vida não é uma meme. Quando? No meu aniversário, por exemplo, quando eu ganhei um poema. Eu sempre soube que deveria ler mais poesia. Obrigada, meu amigo!

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O melhor poema que li não me conhece, não me desvenda.

Apenas enreda-se em mim, comovendo-me, distraindo-me com jeitos de ser eu.

Pinta palavras que não são, que não podem ser. Gargareja sons até se esquecer

completamente de si.

Respira pelos silêncios. Encanta em ondas, serei por tudo. Venta até chacoalhar as

areias como um guizo.

Sempre ronrona seu destino muito perto do meu – eu que não me dou com gatos!

Brinca de me fazer infante, ilude com luz a minha sombra de velho escuro.

Derruba pelo ar, aos bocados, cheiros de amor de alguma mulher com a promessa

rosada de espinhos.

Segura a minha mão e me perdoa fácil como o padre e os decorados padre-nossos de

alguma confissão.

Faz minha mãe que já morreu chamar a todos para a mesa, pedindo vinho e rindo por pedir vinho.

O melhor poema que li não me liberta, é libertação.

Marcelo Donatti

Literatura, sua bandida!

Apaixonar-se por literatura é um caminho sem volta. Mesmo. Uma vez ouvi o seguinte “a faculdade de Letras é uma fábrica de angústias”. Sim, de fato é. E não por conto do tenebroso futuro pedagógico que aguarda a quase todos ao final do curso, mas porque pensar, refletir, analisar e conhecer são atividades que despertam aquilo que há de mais profundo em nossas entranhas da alma. Também sim, a ignorância é uma bênção! E, como ser um leitor sagaz não é o suficiente para alguns, há quem se aventure a escrever também. E a escrever brilhantemente. Se ser um leitor cria uma fábrica de angústias, imagino que ser escritor transforme tudo isso em uma usina. Talvez uma usina nuclear.

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Dedicatória do querido Alexandre, quando me deu o livro

 E, como a vergonha alheia para citar detalhes do ocorrido no último dia 17 é gigantesca, segue um trecho escrito pela jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho sobre a entrega do prêmio Camões a Raduan Nassar.

7. Claro que o ministro sumirá da história e a obra do premiado fica, enquanto houver alguma forma de livro no planeta. Para os livros de Raduan Nassar é indiferente o que passou na sexta. Mas a nós, contemporâneos, importa, sim, que um membro do poder político abuse do cargo, confundindo, distorcendo e agredindo um criador como Raduan, protagonista único da cerimónia, que lhe devia merecer, no mínimo, silêncio. Não cabe ao ministro aprovar ou reprovar o discurso do premiado, não lhe cabe responder. Tal como não é preciso alguém estar de acordo com Raduan politicamente para entender como foi absurdo o que se passou. O prémio não é deste governo, é patrocinado por dois Estados, e atribuído por um júri. A sua aceitação nunca deverá implicar um discurso bem-agradecido. Um ministro da Cultura que veja os criadores como estando ao serviço não entendeu nada. Idem para quem sugere que se pode tirar a política da cultura, e vice-versa. De resto, o que o actual governo brasileiro está a fazer na Cultura é um desmonte do muito que veio sendo construído. Se há áreas em que os anos de Lula deram frutos fortes, a Cultura é certamente uma delas.” (aqui o texto dela; aqui o ocorrido na Folha S. Paulo, até eles!; aqui o discurso dele).

Sim, vivemos tempos sombrios Raduan, porém prefiro acreditar no que o Alexandre disse para mim e, agora, para você também: “Que as colheitas todas, embora tardias, jamais impeçam os sempre ansiosos momentos de plantio”. Obrigada pela sua obra, pela sua arte. Vida longa à literatura, essa bandida que nos liberta para nos jogar no turbilhão de uma usina! ;*

363/365 Toca do leão

Sim, ainda o cabelo. Sorry. Quando eu pensava que, ao acordar, o “ninho de rato” não

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Vini

poderia piorar, enganei-me. Hoje foi dureza, tive que aguentar a crise de choro do susto que o Vini tomou quando me viu. Fiz o esquema de borrifar a misturinha, mas a situação continuou crítica hoje. “Difícil olhar pra essa sua cara aí e achar que está bom”, meio que isso o feedback recebido. Hoje eu desacreditei um pouco de que haverá uma maneira do cabelo ficar civilizado e apresentável, nem arrisco dizer “bonito”. Em dias assim, o agradecimento é gigante só pelo fato de não ter tido que sair de casa.

 

361/365 Day after

Esse é o nome dado para o “dia seguinte” do BC com o novo cabelo. Ao me olhar no espelho, eu usaria a expressão dos meus avós “ninho de rato” pra classificar o que eu via. Resolvi relaxar, tomar café, fazer mil coisas e ver o que eu faria quando tivesse que sair.

Brinco grande? Ok. Base e batom escuro? Ok. Roupa mais arrumadinha? Ok. Spray de água com gel? Ok. Eu tinha um encontro mais a noite e meu coração pulou quando eu gostei da minha imagem no espelho: sim, estava apresentável. E é nesse momento que a vida poderia ser um “mannequim challenge” (#mannequinchallenge, última moda nas redes sociais, porque alguém achou que era legal), para meu cabelo não sair do lugar. Ao final da noite, o cabelo estava um desastre total (sem exagero!). O que me restou? Correr pro abraço, fingir que não estava nem aí, agir com naturalidade e agradecer por não ter surtado.

360/365 Big Chop

Hoje foi o último dia de trabalho, que alívio. Enfim chegou o momento de descansar, felizmente terei novos desafios em 2017, além da gratidão por ter me livrado de uma das pessoas infelizes que atormentou minha vida durante este ano. Agora sim eu posso acreditar que esse pesadelo acabou, o que me dá esperança de que o outro grande pesadelo acabe logo também.

Hoje também foi o dia que marquei para fazer meu Big Chop (BC). Há quase dois anos que eu ando acompanhando esse movimento de se libertar da química no cabelo, pois alguns efeitos colaterais não estavam me agradando nesse procedimento que eu fazia há mais 16 anos: cabelo grudadíssimo na cabeça, pontas espetadas e sem flexibilidade e, principalmente, queda acentuada e localizada de cabelo… Essas eram as motivações iniciais para acompanhar esse processo de transição capilar e do grande corte (BC), depois descobri também toda a questão da identidade, de amar os fios que se tem, da necessidade de se quebrar os padrões de beleza estabelecidos etc etc etc… Ideologias são sempre sedutoras!

Escolhi o lugar que eu faria o corte, acompanhei pelo Instagram do salão todos os “antes e depois”, fui me convencendo de que não usaria mais pente, de que não poderia passar a mão no cabelo a todo instante, de que eu teria de despender de tempo para cuidar do cabelo (coisa que nunca fiz na vida, a não ser o bate-pronto do cabeleireiro). Chegando lá, descobri que meu cabelo teria de ser cortado muito mais do que eu esperava, pois apesar de não fazer química há quase ano, continuei com o uso incessante da chapinha, o que danificou muito os fios, a ponto de algumas partes terem o mesmo prejuízo da química, resultando num crescimento desigual.

Ao contrário do que eu havia visto em toda essa minha pesquisa do BC, com as meninas sorridentes e felizes, eu não fiquei com a satisfação plena de “abandonei a química” e “que alívio”, além do largo sorriso no rosto. Foi estranho, não pelo corte, pois eu queria mesmo ter o cabelo bem mais curto, mas pelo resultado: não consegui sair de lá saltitante e feliz da vida, mas com um aperto no coração e uma luta interior para não acreditar que “tinha feito merda”. O resto da noite foi de ficar passando várias vezes na frente do espelho para tentar me reconhecer e até tirar fotos pra registrar esse momento. Terminei a noite sorrindo pra imagem serelepe que eu via no espelho e disposta a enfrentar essa descoberta de mim mesma. Gratidão.

355/365 Sobre limpeza e desobediência…

A Matilda agora habita a porta do meu half home office, half craft room. O quilt de estrela vai pra parede, o porta-chaves foi parafusado no lugar e tive até um longo momento lava-jato na garagem (me senti poderosa e arbitrária, mas com plena convicção do que estava fazendo). Sim, desobedeci as ordens de Pink e fui fazer o que me interessava em casa. Adoro insubordinação mental, ainda mais porque provavelmente será a última (ou quase última) de um ano acre que tive no trabalho. Sem contar que minha paciência com gente ansiosa (minha teoria é que esse tipo de pessoa só deveria poder conviver em sociedade, se estiver medicada e tratada, pra não ficar enchendo o saco de quem está ao redor… Gente ansiosa, se puder, atormenta o mundo inteiro!) está no vermelho. Resolvida a desobediência, trabalhei como se não houvesse amanhã, o que é motivo para agradecer demais!